Minas tem primeiro patrimônio agrícola mundial reconhecido no país

mar 11, 2020

Estado é destaque internacional com cultivo de Sempre-Vivas

Wikimedia Commons

A região do Alto Jequitinhonha recebeu, nesta quarta-feira (11), título de Patrimônio Agrícola Mundial para a Cultura das Sempre-Vivas.

O certificado foi entregue pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em cerimônia realizada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Brasília (DF).

O título visa reconhecer patrimônios agrícolas desenvolvidos por povos e comunidades tradicionais em diversas partes do mundo. Assim, os municípios de Diamantina, Buenópolis e Presidente Kubitschek ganham visibilidade, fomento à economia e ao turismo histórico local.

A coleta de Sempre-Vivas é símbolo do extrativismo familiar, que luta para ter sua história reconhecida. Agora, a Serra do Espinhaço integra a lista dos Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (Sipam).

Dessa forma, a tradicional atividade de apanhadores estabelecidos em amplo território no Cerrado ganha reconhecimento internacional. Trata-se de uma conquista dos pequenos produtores e da Comissão em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (Codecex), com apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG).

Atividade secular

A coleta e tratamento às Sempre-Vivas, flores secas, ultrapassa a função de ornamentação. Na região, a agricultura familiar, o manejo da cultura e outros fatores fundamentais são desenvolvidos para a soberania familiar ao longo das décadas.

Esta atividade secular permitiu às centenas de comunidades decidir e manter seus sistemas alimentares e produtivos, com base na sustentabilidade e ecologia integral, além das tradicionais manifestações religiosas e culturais.

Fonte:  Jornal Estado de Minas