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Grande volume de chuva nunca visto antes arrasa região cafeeira de Manhumirim

fev 1, 2020

A região serrana à leste de Minas famosa pela tradicional cultura do Café sofre desde a última sexta-feira 24 de janeiro, quando um volume nunca visto antes de chuvas atingiu dezenas de comarcas, entre os municípios de Manhumirim, Manhuaçu, Matipó até Espera Feliz.

Admar Rodrigues Soares, Presidente da Câmara do Café das Matas de Minas, apoiado por José Antônio Emerick que é Diretor de Comunicação e Tesoureiro da Câmara, auxiliados pelo primeiro especialista a conseguir chegar na região, o geólogo que é professor do ensino superior da região, Doutor Wellington Júnior do Nascimento, fizeram as primeiras análises do ocorrido.

“É uma tragédia que se abate sobre a região. Foram relatadas impressões como tremores de terra. Segundo o geólogo, o caso é parecido com a tragédia que ocorreu na região serrana do Rio”, diz Admar, desolado, sem dormir há 2 dias, acompanhado do Diretor de Comunicação.

Estradas de doze comarcas da região estão ainda interditadas, o poder público apoiou a população com socorro prontamente e tratores estão em deslocamento para os vários pontos que os profissionais da Câmara do Café ajudam a coordenar para liberação e acesso de comunidades isoladas.

“Uma quantidade de chuva inédita na última sexta 24 para 25, surpreendeu muita gente. Barreiras, pedras enormes soltas e as próprias plantações de Café viraram um fluxo de lama descendo os morros que infelizmente soterraram várias famílias. A própria plantação está descendo”, fala o Presidente, parecendo não acreditar no que viu.

O pior cenário: vidas perdidas

O trabalho na comunidade é ininterrupto e as notícias entre populares, Defesa e Polícia Civil e Militar, se espalham com grande tristeza:

“Tivemos próximo a Manhumirim a confirmação de que 2 crianças de 6 e 8 anos mais uma idosa vieram à óbito. O pai e um irmão dessa mesma família estão internados em estado grave. Estavam dormindo, foram acordados pela grande quantidade de água, foram arrastados pela enxurrada com lavoura, plantas, rochas, tudo, que invadiu a casa por volta das 22:30 da noite”, Admar segue relatando com enorme pesar.

Em Alto Jequitibá, comarca de Manhumirim com 11.000 habitantes, uma Senhora de 102 anos veio à óbito, soterrada. Já em Alto Caparaó, a lavoura desceu com a lama e soterrou um jovem casal de 27 e 22 anos com criança de 7 anos. A comarca de 8.000 habitantes ainda não acredita na gravidade dessas mortes.

Moradores são evacuados emergencialmente

Segundo relato de moradores de Manhumirim, barragem feita de forma irregular em propriedade particular na cidade também ofereceu enorme perigo a uma comunidade durantes os últimos dias. 

200 famílias foram evacuadas às pressas sob intervenção da Defesa Civil. Órgãos de fiscalização e Prefeitura da cidade já interviram no local e já estão retirando a água da represa. Neste momento ainda temos as ações reativas para sanar as tragédias, além de evitar novas vidas perdidas.

Previsão de mais chuvas

Os representantes da Câmara do Café fizeram um apelo às autoridades: “Precisamos da atuação da esfera pública com urgência na região. Temos previsão de grande volume de chuvas para os próximos dias”.

Ainda há grandes possibilidades de desabamentos e toda a população está muito abalada, pois há relatos de rachaduras e árvores inclinadas, sinais claros de que o solo está encharcado e se movendo.

Mais um golpe

Trouxemos em primeira mão a luta que os produtores de Café da região aos pés do Pico da Bandeira já travavam contra seguidos anos de baixíssima produção, crise com altos preços dos implementos e dificuldades naturais da produção do grão.

2019 foi um ano decepcionante para os produtores. Na ocasião, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Sistema FAEMG), interviu para conseguir alívio nos prazos de financiamento.

A região que respira o sucesso ou desafios do Café atravessa grave crise há anos e, segundo a Câmara do Café, até 95% de todo o comércio das cidades e comarcas fechou as portas. Agora, mais este golpe.

Ainda não se pode precisar os prejuízos de lavouras perdidas, as impressões colhidas são de que, certamente, parte relevante se perdeu no desprendimento da terra das lages de pedra, o que se somará aos prejuízos já contabilizados nos últimos anos.

 

Galeria de imagens

Confira imagens feitas pela equipe da Câmara do Café e gentilmente cedidas à Casa de Caco Agronegócio. Elas dão exata dimensão do grande volume de chuvas e da tragédia em desabamentos.

Pedido de socorro

Admar e Antônio são categóricos no pedido de socorro. A região necessita da presença de profissionais e apoio de toda a sociedade para diagnosticar e entender o que ocorreu e a vislumbrar perspectivas para a população.

Planejar e saber como remediar, além de prevenir para que isso nunca mais aconteça no futuro, já é desejo de todos na região, que ainda tem dificuldade em acreditar que toda aquela quantidade de água tenha se transformado em lama levando junto a lavoura.

A Casa de Caco lamenta profundamente as perdas já contabilizadas na região e faz aqui um apelo aos parceiros que podem ajudar de alguma forma, que o façam o quanto antes, como puderem.

As imagens divulgadas aqui foram feitas pelos representantes da Câmara do Café das Matas de Minas, que pedem sua divulgação para que se tenha ideia da gravidade do ocorrido.

Pedidos que todos se mantenham em oração pelas vítimas, na torcida para que as previsões de chuva se concretizem como chuvas em quantidades que alimentem apenas a vida.