Dia Nacional da Cachaça e muitos motivos a comemorar

set 18, 2019

Treze de setembro já está na História, sobretudo para os apreciadores da bebida mais consumida e apreciada em Minas e no Brasil e a terceira mais consumida no mundo. É o Dia Nacional da Cachaça.

Temos muito o que comemorar com a cachaça como negócio e também como patrimônio histórico do Brasil.

Origens da bebida ou das histórias

A cachaça é brasileira, mas há registros de bebidas semelhantes no exterior.

“Um dos mais antigos  é por volta do século 14 – uma versão espanhola, com sabor um pouco inferior que o nosso com mistura de raízes das plantas e álcool, tradicionalmente conhecida como bagaceira”. É o que explica o historiador e especialista em patrimônio material e imaterial do Brasil, Fernando Guerra, que são as formas de expressão, os modos de criação científicas, artísticas e tecnológicas. Isso inclui o modo de fazer produtos artesanais como o queijo e a cachaça.

A origem da cachaça, no entanto, vem sendo motivo de polêmica porque falta comprovação nas teorias de que foi descoberta por acaso, por escravos com uma produção de melaço que não deu certo.

Há ainda a versão da origem do termo aguardente com escravos relatando ardência nas feridas quando as gotas que pingavam do teto, na precipitação da umidade gerada pelo processo de produção.

CC/Flickr – Claus Jardim

Características da cachaça

Para ser considerada cachaça, a bebida deve atender aos seguintes critérios da Instrução Normativa 13/2005, do Ministério da Agricultura: aguardente de cana produzido no Brasil, com graduação alcoólica de 38% a 48% em volume, a 20ºC, obtida a partir da destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar, com características sensoriais peculiares e podendo ser adicionada a açúcares em até 6 g/l.

Quanto à produção, a cachaça pode ser fabricada em dois tipos de processos: industrial e artesanal.

A produção artesanal, em menor escala é conhecida popularmente como “cachaça de alambique”. A cana de açúcar é cultivada sem agrotóxicos e tem um preço mais elevado.

A industrial é produzida em grande quantidade, são milhões de litros por ano. Na fermentação, são usados antibióticos e produtos químicos e a destilação é realizada através de colunas de aço inox.

Os fatos que podemos comemorar

Minas Gerais é o maior produtor de cachaça artesanal do país, com 200 milhões de litros por ano (50% da produção nacional neste segmento).

No Estado, a atividade é responsável pela geração de mais de 100 mil empregos diretos e cerca de 300 mil indiretos.

As agroindústrias de cachaça estão distribuídas em quase todas as regiões de Minas, mas a maior concentração está no município de Salinas, no Norte do Estado. São 312 estabelecimentos que possuem reconhecimento como indicação geográfica para a produção da bebida.

As exportações mineiras de cachaça geraram, em 2018, receita de aproximadamente US$ 700 mil, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Estados Unidos e Uruguai foram os principais mercados para o produto mineiro.

Políticas públicas

O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e órgãos vinculados como Emater-MG, Epamig e Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), incentiva os produtores a regularizarem suas produções e também faz campanha educativa para conscientizar a população quanto ao consumo excessivo da bebida , iniciativas que contribuem para o desenvolvimento do setor.

Integram as ações governamentais a assistência técnica oferecida pela Emater-MG e a Câmara Técnica da Cachaça, que atua como elo entre o Estado, o setor produtivo e o consumidor.

Equipe Casa de Caco

Programa Certifica Minas

Visando assegurar a qualidade da cachaça e de outros produtos agropecuários e agroindustriais produzidos no Estado, o programa Certifica Minas estimula a sustentabilidade dos sistemas de produção.

“Trata-se de um certificado de conformidade de cumprimento das normas sociais, ambientais, trabalhistas e sanitárias que atestam a qualidade e as boas práticas de fabricação do produto”, explica o superintendente de Abastecimento e Cooperativismo da Seapa, Gilson de Assis Sales.

Os auditores do IMA avaliam todas as etapas do processo produtivo, incluindo a gestão da propriedade, responsabilidade social e ambiental.

Após a aprovação, os produtores podem utilizar o selo de conformidade do programa nas cachaças certificadas. Além da certificação no Certifica Minas, outras opções são os selos de cachaça sem agrotóxicos (SAT), cachaça orgânica e IMA/Inmetro.

“Isso proporciona aos produtores mineiros mais competitividade, favorecendo sua inserção nos mercados nacional e internacional”, afirma o gerente de Certificação do IMA, Rogério Carvalho Fernandes.

Capacitação e troca de informações

Sustentabilidade demanda capacitação e fluxo de conhecimento, fatores sanados com a promoção do II Seminário Mineiro da Cachaça a ser realizado em Novembro pelo Governo de Minas, por meio da Seapa e vinculadas (Emater-MG, Epamig e IMA).

De acordo com Gilson Sales, o objetivo do seminário é promover a atualização de produtores e profissionais que atuam no setor, além de estimular discussões relativas a aspectos da produção e comercialização da bebida.

“A proposta é também unir produtores, empresas e instituições que estejam alinhadas com as ações relacionadas à qualidade, segurança, mercado, legalização e certificação da cachaça”, diz o superintendente da Secretaria de Agricultura.

A programação terá painéis sobre tendências, valorização e inovação para o mercado de bebidas; mercado e marketing; a cachaça enquanto patrimônio cultural; legislação ambiental; certificação e avanços científicos da bebida, entre outros temas. Informações sobre o II Seminário Mineiro da Cachaça podem ser obtidas pelo telefone (31) 3915-8596.

13 de setembro

A criação do Dia Nacional da Cachaça, instituído em 2009, é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac). O 13 de setembro foi escolhido em homenagem à data em que a cachaça foi oficialmente liberada para a fabricação e venda no Brasil, em 1661.

No entanto, esta legalização só foi possível depois de uma revolta popular, ocorrida no Rio de Janeiro, contra as imposições da Coroa Portuguesa, conhecida como “Revolta da Cachaça”. Até então, a Coroa Portuguesa criava impedimentos para a produção de cachaça no país porque queria que a bebida fosse substituída pela bagaceira, aguardente típico de Portugal.

Patrimônio da cultura mineira

Conhecida por vários nomes muito curiosos, como “mata-bicho”, “branquinha”, “parati”, “bicha”, “água que passarinho não bebe”, “marvada”, “veneno” e “boa”, o fato é que a cachaça faz parte da vida dos mineiros e brasileiros.

Presente no dia-a-dia do povo de Minas, seja no campo ou nas cidades,  a cachaça artesanal de alambique é patrimônio cultural reconhecido do Estado.

Divulgação Museu da Cachaça

O incrível museu exclusivo da cachaça , na cidade de Salinas, comprova essa realidade.

Nunca tomou? Conheça a cachacinha de Minas e se encante!

Fontes:

Seapa 

Secretaria de Estado de Cultura

IMA

Diário de Pernambuco

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