Auxílio na escolha de um bom café

fev 21, 2020

O brasileiro ama café!

Isso já não é novidade pra ninguém, pesquisas da IOC (INTERNATIONAL COFFEE ORGANIZATION) mostram que o consumo de café no Brasil aumentou na última década o equivalente à 20% (18390  p/ 21997).

Mais otimista ainda é o mercado dos cafés especiais, que chegam a taxas até 5 vezes maiores em relação aos cafés tradicionais, trazendo altas perspectivas para este segmento.

Dentre os principais critérios que determinam a escolha do consumidor brasileiro na compra, vemos que a marca em que estamos habituados ou confiamos, seguido pela variável preço, são determinantes na escolha dos cafés tradicionais.

Até aí tudo bem, porém como saber se realmente esses são os melhores critérios e quais possíveis parâmetros existentes na escolha do café em meio a tantos nas prateleiras? E esse será o nosso papo de hoje aqui no “Prosa para o Café”.

  • avaliação: Espécie, recomenda-se o consumo de cafés com 100% arábica na composição, caso contrário, a amostra pode conter até 30% da espécie conilon ou robusta, que carregam o dobro de cafeína em relação aos arábicas e apresentam inferioridade nas variáveis sensoriais como aroma e sabor.
  • A avaliação se refere a torra, cafés de torras mais escuras podem ser sinônimos de grãos defeituosos, ou seja, grãos com alguma deformidade adquirida no pé, colhido de forma precoce ou tardia e até processado irregularmente, causando fermentações inadequadas. Por isso, tenha preferência por torras mais claras (médias à médias claras), elas são sinônimos de grãos maduros e sadios.

  • A avaliação se refere a granulometria do pó, ou seja, o tamanho da partícula depois da moagem. Tenha preferência por moagens mais grossas. Moagens muito finas, fazem com que não detectemos visualmente possíveis impurezas estranhas na amostra do café (casca, pau ou outros cereais), além de fazerem com que as notas de aroma e sabor logo se dissipem, deixando-o sensorialmente muito abaixo do potencial.
  • A 4º avaliação se refere a procedência dos grãos. Essa procedência não se refere a origem industrial, mas sim a origem geográfica dos grãos. Cafés de origem carregam características muito singulares de uma determinada região, produtor e até mesmo de trabalhos sociais e ambientais que aquela comunidade regional trabalha e desenvolve.
    Quanto mais informações soubermos da origem, melhor para o nosso conhecimento, paladar e valorização de produtos com origem controlada.

A Arabica Best Coffee (ABC do Café) é uma micro torrefação que trabalha com cafés de origem única, que são lotes de uma única micro-região, vindos de uma fazenda e variedade específica, pois são colhidos em um determinado talhão daquela plantação.

Isso faz com que os cafés possam ser rastreados por um QR Code de fácil leitura pelo próprio celular. Esse processo permite que os consumidores saibam quem é o produtor, sua história, onde está localizada a fazenda, além de todas as informações sobre a avaliação técnica da bebida, como notas de aroma, sabor, acidez, corpo e equilíbrio.

Nos nossos trabalhos de degustação, ouvimos relatos de adultos e senhores dizendo relembrar o tempo de infância, quando tomavam café na fazenda dos avós.

Ao pesquisar o motivo desses depoimentos, descobrimos que nas fazendas, antigamente, faziam a mesma coisa que eles estão fazendo hoje: colhiam o café direto do pé, fazendo uma secagem uniforme, não misturando variedades, nem regiões, uma nomenclatura para o micro-lote.

Para maximizar o processo, a ABC cria perfis de torra para realçar o sabor do café, tudo isso para o cliente ter uma sensação única e prazerosa com cafés de qualidade.

Por isso ao escolher algum café na prateleira, lembre-se que há mais histórias, premissas e critérios na escolha do que possamos imaginar.

O autor, Saimithon Souza, é economista e pesquisador do mercado consumidor brasileiro.
sasouza@abcdocafe.com