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A mudança no mercado consumidor de cafés brasileiro

dez 27, 2019

O consumo de cafés no Brasil se intensificou no início do século XX, período de grande incentivo governamental à produção em escala com objetivo de reintegrar o país comercialmente no cenário internacional.

Com a produção voltada para o mercado externo, os cafés que permaneciam no Brasil eram de qualidade inferior, formado por grãos demasiadamente defeituosos e com alto índice de impurezas, sendo palatável somente a base de torras bem escuras, moagens finas e açúcar adicionado à bebida.

Assim, esse padrão de consumo perdurou pelo século XX e fez dessa característica sensorial, uma referência passada de geração para geração.

Acesso à qualidade

No Brasil, os expressivos sinais de disseminação no consumo qualitativo do café começaram por volta do ano 2000, oriundos das transformações iniciadas a partir da década de 60/70 em regiões centrais como Europa, EUA e Japão, baseado no consumo “fora de casa”.

Neste novo cenário internacional, cafeterias pioneiras carregavam o conceito do café não só como uma bebida para estímulo mental ou o coadjuvante das refeições, mas atribuíam valores as experiências e à cultura do consumo, com torras frescas vindas de várias partes do mundo, opções de bebidas “drinks” a base de café e a percepção sensorial, caracterizada pela diferenciação de fatores como aromas, corpo e acidez presentes entre uma origem e outra.

Daí em diante, tivemos no Brasil a popularização do método italiano “espresso” e a abertura de cafeterias independentes em grandes centros que disseminavam cada vez mais a cultura do café.

Evolução natural

Essa nova forma de enxergar o café foi ganhando proporções cada vez maiores e novos profissionais do ramo foram surgindo, como por exemplo os “Coffee Hunters” que garimpam cafés nobres e raros para serem oferecidos aos clientes, também os “Mestres de Torra” que criam perfis de torra visando a maximização qualitativa da bebida, além dos “Baristas” que são porta vozes do elo criativo por de trás de cada xícara, levando informações e conhecimentos para o consumidor.

O resultado desse conjunto de trabalho, gerou o aperfeiçoamento gradativo da oferta e da demanda, fazendo com que os membros de toda cadeia cafeeira não só reconhecessem, mas se surpreendessem com o tamanho e a potencialidade de um gigante mercado consumidor, que na verdade está só nascendo.

Um excelente café logo ali

Você não precisa se preocupar em ser mais um novo “coffee lover” ou já sair por aí comprando diversos métodos e diferentes cafés pra preparar em casa. As ondas dos cafés são democráticas e cada um tem seu tempo em surfar na onda que quiser. 

Muitos afirmam que cafés com qualidade é um caminho sem volta, por isso devemos continuar trabalhando para difundir não só a boa bebida, mas à agregação de valor econômico, regional e cultural pertencente a rica cadeia do café brasileiro.

O autor, Saimithon Souza, é economista e pesquisador do mercado consumidor brasileiro.
sasouza@abcdocafe.com